sábado, 12 de novembro de 2011

A infeliz tríade que impossibilita a consagração de Neymar


Se não fosse o trabalho incessante do modem permitindo a comunicação entre computadores através de uma linha telefônica que, em conjunto, formam a feliz tríade que da vida a internet, seria necessário gastar um pouco mais da sola do meu já puído sapato rumo a biblioteca mais próxima para folhear páginas empoeiradas de algum atlas geográfico em busca de informações sobre Vanuatu ou mesmo Kiribati.

Você eu não sei, mas desconhecia por completo a existência desses países, até saber, na semana passada, que ambos oferecem aos seus cidadãos condições bem mais favoráveis ao empreendedorismo do que o país do futuro, segundo o relatório Doing business 2012, elaborado e divulgado anualmente pelo Banco Mundial. Verdade seja dita, a terra bonita por natureza ocupa a vergonhosa posição 126, num total de 183 nações analisadas.

Fica claro que um dos principais motivos de pobreza que impera em cada metro quadrado, nesses cinco mil seiscentos e lá vai cacetada municípios brasileiros, é a incrível capacidade da União em sugar cada centímetro cúbico do sagrado suor do povo brasileiro, que se traduz por uma pesadíssima carga tributária, responsável, dentre outras feridas que não cicatrizam nem com "reza braba", pelo País tropical abençoado por Deus estar à frente do Estado insular da Melanésia, Vanuatu, (o Google me poupou tempo e sapato) somente nas páginas do Aurélio.

Apesar de algumas siglas partidárias posarem de vítimas, incluindo a do partido do velho comunista Aldo Rebelo, o novo Ministro dos Esportes - que possui ojeriza por expressões ianques, mas que vibra o esqueleto diante de uma verdinha do Tio Sam - de tentarem desviar o foco da atenção culpando sempre o capitalismo gringo pelas nossas mazelas, é justamente a falta de um ambiente acolhedor aos bons negócios, patrocinado pela infeliz tríade: presidente, governadores e prefeitos, o fiador para que sonhos se transformem em pesadelos e que jamais fique pronta a avenida que leve o País do carnaval a desfilar, definitivamente, com pujança no cenário econômico mundial.

A falta de competitividade e o sentimento de opressão no País das maravilhas não se restringe apenas ao mundo empresarial, a praga flutua do Oiapoque ao Chuí e não poupa nem mesmo o desporto que ostenta cinco conquistas mundiais e que fez esta nação ser reconhecida em todo o sistema solar como o país do futebol.


Bastou Neymar, o jovem talentoso atacante santista, constar no rol dos melhores jogadores do mundo que concorrem ao prêmio Bola de Ouro 2011, oferecido pela entidade diretora do futebol mundial, Fifa, em parceria com a revista France Football, para os alto-falantes do mundo esportivo anunciarem em ótimos decibels os motivos pelos quais o pueril atleta brasileiro não passará de um coadjuvante nessa duvidosa condecoração, que esquece que há vida nos gramados além do setor ataque.

Soberba, preconceituosos e arrogantes foi a tríade de palavras mais utilizada nas frases pelos coitadinhos representantes do futebol brasileiro ao se referirem aos organizadores desse grande "babado" futebolístico, na tentativa de justificarem uma previsível derrota do endiabrado Neymar para os não menos infernais, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, no dia 09 de janeiro, em Zurique, sede da poderosa Fifa.

Não é porque Neymar não atua (por enquanto) em equipes europeias que não será considerado o craque do ano; não é porque Neymar do Santos de Pelé não enfrenta times de "outros planetas" que não será considerado o melhor do mundo; não é porque Neymar ainda não demonstrou seu excelente futebol diante das melhores defesas do primeiro mundo que seu nome será esquecido pelos gringos, enfim.

O que impede realmente a consagração do irreverente Neymar, por ora, vestindo a bela camisa santista, e de outros tantos craques brasileiros que por aqui brilham é, em primeiro lugar, a pobreza da administração do nosso querido futebol, representada pela desmoralizada CBF, que não consegue organizar um decente calendário nacional devido a ganância do bolso de seu presidente, o nojento senhor Ricardo Teixeira.

Em segundo lugar é a necessidade de organizar, nas coxas, o Mundial-2014 para fazer a festa dos abutres engravatados e, por tabela, oferecerem o mínimo de segurança e conforto ao torcedor brasileiro, que apesar de toda a humilhação imposta, ainda frequenta estádios, em muitas ocasiões, sentado ao lado de bandidos, jogando com a vida, mas prestigiando com alegria ou pranto o seu amado clube de coração.

E, fechando a infeliz tríade, que impossibilitará um trato especial no topete de Neymar, algumas cheirosas gostas de Polo na sua rica pele e que abreviará largos sorrisos praianos, é a malfadada gerência dos clubes nacionais que, por falta de competência ou mesmo por ma-fé, não conseguiram vencer os enormes desafios impostos pelo futebol-negócio, perpetuando exercícios administrativos de quinta categoria num, ao que tudo indica, eterno país de terceiro mundo.

Afinal, somente seremos respeitados e admirados mundo afora, em qualquer área do saber, quando soubermos, de uma vez por todas, realizarmos nossas lições de casa e pararmos de culpar terceiros pelos nossos fracassos, o que, infelizmente, ainda não aprendemos a executar. Enquanto isso não acontecer, as muletas estarão aí a disposição, basta apenas escolher, de acordo com a situação, a tríade que melhor apetece: cor, modelo e tamanho.

Bem, isso aqui já se tornou demasiadamente extenso. Vou agora procurar informações sobre Kiribati, mas nada de desviar de transeuntes mal-humorados e de calçadas esburacadas, vou acionar a facilidade do meu teclado que, por sinal, é semelhante ao seu, mas que não faz das minhas, a sua opinião.

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